A Diretoria de Assistência à Saúde (DAS) da Secretaria Municipal de Saúde de Caraguatatuba realizou apresentação do protocolo do uso do cateter hidrofílico para a equipe de enfermagem e teve também a presença de alguns pacientes, que fazem uso deste equipamento, na sexta-feira (15), na Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência e do Idoso.
Atualmente, a rede municipal de saúde disponibiliza, gratuitamente, o cateter hidrofílico, a 29 pacientes cadastrados.
“A gestão atual quer que esse material elaborado com precisão tecnológica, chegue ao maior número de pessoas que precisem do cateterismo”, disse o secretário de Saúde, Dr. Raphael Ghetti.
O cateter hidrofílico em substituição ao de pvc permite maior autonomia e conforto aos pacientes com lesão na medula espinhal, acidente vascular cerebral, esclerose múltipla e doenças como Parkinson, meningocele, entre outras, que tiveram como consequência a incontinência urinária, urgência para urinar e dificuldade em esvaziar a bexiga.
Os cateteres de PVC, geralmente, não possuem revestimento especial e nem pré-lubrificados, necessitando de lubrificação manual antes da inserção na uretra. Já os cateteres hidrofílicos possuem um revestimento que se torna extremamente escorregadios quando em contato com a água, facilitando a inserção e reduzindo o atrito com a uretra.
O encontro contou com palestra do paratleta da equipe da seleção de Rugby e psicólogo, Lucas Junqueira, embaixador da Coloplast, usuário do cateter hidrofílico.
Aos 21 anos em um mergulho no mar, após ter batido a cabeça em um banco de areia, Junqueira fraturou a 5ª vértebra cervical o que acarretou sua tetraplegia. Hoje, aos 36 anos, Junqueira contou que o caminho foi longo até se recuperar e tornar-se um atleta de alto rendimento.
“Uma situação que me atrapalhava muito eram as constantes infecções urinárias por conta do uso do cateter de pvc. Era todo um ritual de transportar em uma pequena mala com o equipamento e todo uma linha de produtos para higienização antes da colocação para esvaziar a bexiga. Era internado a cada três meses. Desde que passei para o cateter hidrofílico, há cinco anos estou sem infecções urinárias”, declarou.
Lucas Junqueira nclusive demonstrou como abre a embalagem com auxílio dos punhos, boca e da própria cadeira de rodas, e como o produto é fino, flexível e lubrificado. “Bem diferente da sonda com pvc”, ressaltou.
A agente de apoio escolar do município, Ana Canuto, que é cadeirante, é uma dos 29 pacientes, em Caraguatatuba, que utiliza o mesmo cateter. “É um dos melhores produtos que já usei. Adaptei-me muito bem a ele e esvazia totalmente minha bexiga”, afirmou.
Após o exposição do paratleta foi a vez da consultora de Acesso e enfermeira Karine Ferreira, conversar com os participantes sobre a bexiga neurogênica, anatomia, indicações do uso do cateter pela Sociedade Brasileira de Urologia, diferenças da sonda convencional e a hidrofílica, o custo e a efetividade, atenção no pré-natal para reduzir o risco de meningocele no feto entre outros temas.
A enfermeira e coordenadora da Atenção Básica da Secretaria Municipal de Saúde, Danielle Rodrigues Pinto, disse que o encontro foi muito importante para sensibilizar a equipe de profissionais da enfermagem, frente às necessidades dos pacientes.
“O testemunho do Lucas foi excelente para nos mostrar como é o dia a dia do paciente que precisa do cateter, como ele se sente e quais são suas demandas para que possamos aprimorar a qualidade e a humanização do atendimento. Queremos incluir mais pessoas com bexiga neurogênica, no protocolo adotado pela DAS para que possamos reduzir o risco de infecção urinária e internações por este motivo”, disse.


