Houve momentos em que as mãos disseram tudo. Em outros, foram as histórias de quem aprendeu desde cedo a enfrentar barreiras de comunicação que emocionaram o público. Assim foi a primeira edição do Elos – Encontro da Educação de Surdos, realizada na noite de quarta-feira (23), no Teatro Mário Covas, em Caraguatatuba.
#PraTodosVerem: Palestrante da noite, Professora Aline Souza e plateia (Fotos: Fernando Matos/PMC)
Promovido pela Secretaria Municipal de Educação, o evento integrou as ações do Setembro Surdo e colocou no centro da programação aquilo que o próprio nome propõe: conexão. Entre Libras, escola, família e comunidade, o Elos abriu espaço para diálogo, cultura, troca de experiências e, principalmente, para que estudantes surdos fossem protagonistas de suas próprias histórias.
A proposta de inclusão começou pela própria organização. Toda a programação contou com tradução simultânea em Língua Portuguesa, na modalidade oral, realizada por profissionais da Secretaria de Educação, permitindo que a comunidade ouvinte acompanhasse um encontro conduzido e pensado com a Libras em evidência.
A coordenadora de Educação Especial e Inclusiva da Secretaria de Educação, a fonoaudióloga Carla Vasconcelos, explicou que o nome Elos traduz o que a rede pretende fortalecer. “É essa conexão entre as pessoas, a escola e a sociedade. Nosso trabalho é incluir e criar caminhos para que cada pessoa possa participar, se comunicar e, acima de tudo, pertencer”, destacou. Carla lembrou ainda que Caraguatatuba é finalista do Prêmio AMVale Unitau de Gestão Responsável 2026 com o trabalho desenvolvido na educação bilíngue.
#PraTodosVerem: Alunos Brayan e Davi, professora Pamela e palestrante Aline Souza são homenageados pelo prefeito Mateus Silva e secretária de Educação Roseli Morilla ao fim do evento (Fotos: Fernando Matos/PMC)
A secretária de Educação, Roseli Morilla, também se dirigiu ao público com uma saudação em Libras. “É uma noite muito especial, fruto de muito planejamento. Que seja o primeiro de muitos encontros, que possamos estar sempre inovando e que tenhamos muita troca de experiências e conhecimento”, afirmou.
Os estudantes logo mostraram, na prática, o significado desse protagonismo. Alunos surdos do 1º ao 5º ano da EMEFEBS Prof. Ricardo Luques Sammarco Serra apresentaram uma adaptação teatral do livro “O Rato Roeu a Roupa”, de Ana Maria Machado. Na sequência, um vídeo produzido pela Secretaria de Educação sobre a Educação de Surdos na rede municipal levou parte do público às lágrimas. O evento também teve particpação dos alunos atendidos pelas EMEI/EMEF Bernardo Ferreira Louzada e EMEI/EMEF Prof. Lúcio Jacinto dos Santos.
A professora Aline Souza trouxe para a palestra a experiência de quem conhece os dois lados da sala de aula. Ela nasceu ouvinte, perdeu a audição ainda criança e conheceu a Libras aos 3 anos. Contou as dificuldades enfrentadas em uma escola sem intérprete e a mudança que ocorreu em sua vida quando passou a estudar em uma unidade preparada para recebê-la. Anos depois, escolheu justamente a Educação como profissão.
Ao compartilhar experiências como aluna e professora, Aline falou sobre as diferentes identidades dentro da comunidade surda e reforçou que não existe uma única vivência da surdez. Para Aline, ensinar um estudante surdo começa pelo respeito à Libras. A educadora também apresentou exemplos de como situações do cotidiano podem ajudar na construção de conceitos e tornar o aprendizado mais próximo da realidade dos alunos.
#PraTodosVerem: Alunos Brayan e Davi e professora Pâmela em bate-papo durante o Elos – Encontro da Educação de Surdos no palco do Teatro Mario Covas (Fotos: Fernando Matos/PMC)
A programação teve ainda o “Pequeno Manual da Cultura Surda”, apresentado por estudantes da EMEF Prof. Auracy Mansano, e a interpretação em Libras da música “Meu Abrigo”, com alunos do curso de Libras da Secretaria de Educação.
Um dos momentos mais emocionantes veio no bate-papo com Brayan e Davi, estudantes do 9º ano que encerram um ciclo iniciado ainda no 1º ano do Ensino Fundamental da EMEFEBS Prof. Ricardo Luques Sammarco Serra. Brayan falou sobre a adaptação à escola, os vínculos construídos e o desafio de seguir para o Ensino Médio. Davi lembrou os nove anos vividos na unidade e falou com orgulho sobre ter se tornado referência para outros estudantes surdos que estão começando essa trajetória.
“Eu tenho implante, sou oralizado, mas a Libras é a minha língua, é onde me sinto confortável. Isso precisa ser respeitado, porque cada surdo tem sua identidade. O mais importante é a comunicação acontecer”, resumiu Davi.
O prefeito Mateus Silva falou da emoção provocada pelos relatos. “Foi um evento incrível, que toca a gente. Fico muito feliz pela oportunidade de conviver, ainda que um pouco, com vocês. Que continuem com essa garra e determinação na trajetória e tenham muito sucesso”, disse.
A primeira edição do Elos terminou deixando uma mensagem que atravessou toda a noite: inclusão vai além de estar no mesmo espaço. É poder se comunicar, participar, ser compreendido e pertencer.
Secretaria de Comunicação Social – 24/9/2026
Fotos: Fernando Matos/PMC


