GRITA BRASIL
Celso de Mello promove festa na banda podre de Brasília!
Era para ser um dia de comemoração. O dia ‘D’ da justiça. Mas não foi
por Claudio Schamis
Ministro Celso de Mello, quer trocar o final do mensalão por outro julgamento sem nenhuma razão de ser? SIMMMMMMMMMMMMMMMMMMMM!!!! (Fonte: Reprodução)
Era para ser um dia de comemoração. Um dia de soltar o “UFA!” preso na garganta de milhões de brasileiros e brasileiras. O dia “D” da Justiça. Mas não foi. O decano do Supremo Tribunal Federal, ministro Celso de Mello, que foi implacável no julgamento do mensalão em seus votos e suas condenações e que tinha tudo para fechar com chave de ouro, e principalmente chave de justiça, essa página da nossa história que mancha de lama o que foi o mais vergonhoso episódio da nossa República, simplesmente disse sim aos embargos infringentes, o que permitirá que réus tenham um novo julgamento por uma turma com novos membros, novas cabeças, novos entendimentos e com isso mudar em parte o rumo do que achávamos ser o capítulo final e feliz.
Se eu sabia qual e como seria o voto de Celso de Mello? Não sabia. Tinha dentro de mim um sentimento ambíguo. Uma coisa bipolar. Euforia e tristeza ao mesmo tempo. Esperança e medo. Satisfação e ressentimento. Alívio e inquietação. Mas…
Com esse sim de Celso de Mello, o ex-ministro José Dirceu, por exemplo, que antes ficaria preso em regime fechado, pode com isso ganhar a prisão em regime semiaberto. Além de ter sua pena reduzida. Isso porque esses embargos que seus advogados impõem são justamente para livrá-lo da condenação de pertencer a uma quadrilha que roubava nosso dinheiro. Ele mesmo bate no peito e diz que ele pode ser tudo, menos quadrilheiro. Eu acho que ele é muito mais que isso, mas infelizmente não posso dizer com palavras o que realmente penso dele em respeito a você que me lê.
Acredito que parte do Brasil parou como num jogo da seleção, como numa decisão de campeonato, como no último capítulo de uma novela. E sim, esse julgamento não deixa de ser uma novela. A mais sofrida de todas elas. A mais triste. A mais vergonhosa. A mais lamacenta. A mais duradoura. Sei que nós telespectadores esperávamos que tudo terminasse na quarta-feira, mas entramos numa espécie de “Vale a pena ver de novo”, com novos capítulos, velhos protagonistas e também novos protagonistas – me refiro aqui aos novos ministros empossados – que participarão ativamente desse novo julgamento.
O capítulo final? Só em 2014. É no ano da Copa. No ano da eleição. Bom negócio? Talvez sim, talvez não. Uns dizem que esse julgamento pode mudar o rumo da eleição, mas eu particularmente duvido. Muda nada. O povo tem memória curta, além de muitas vezes votar com os antolhos vestidos.
Minha esperança seria a FIFA, em se tratando de ano de Copa, querer assumir e exigir um novo julgamento padrão FIFA, mas hoje já ponho em dúvida que padrão seria esse. Pois se eles escolheram o Brasil para sediar essa Copa, fico me perguntando até onde esse padrão deles é o melhor padrão.
Sei que o voto de Celso de Mello não poderia e não deveria ser feito em cima da pressão popular. Essa pressão não pode ser fator decisório de nenhuma decisão jurídica. Se assim fosse seria o caos. Há uma linha tênue aí. Que é fina, delicada como cristal. O ministro em seu voto proferiu uma aula magna, viajou no tempo, citou vários juristas e usou a lei para defender sua posição. O seu voto foi totalmente como se seguisse um manual. Não houve sequer nenhum momento em que ele proferisse que apesar da lei, blá, blá, blá, ficou claro a culpa dos réus nos crimes por eles cometidos e julgados não sendo honesto um novo julgamento. Tenho que admitir: foi uma defesa forte quase que convincente. Mas…
É claro que nós julgamos munidos de emoção, eles não. Pelo menos na prática não podem deixar transparecer isso. Entendo que a posição de um juiz é delicada, complicada e muitas vezes difícil. Mas…
Até que ponto se fez justiça? Até que ponto a justiça é cega? Ou será que às vezes faz papel de burra?
Mas depois desse tempo todo qual a dúvida de que há uma quadrilha formada, de que eles são culpados, de que eles roubaram?
Dois pesos, duas medidas
Por que há essa diferenciação entre crimes cometidos por políticos e pessoas comuns no que se refere ao tempo e à decisão da Justiça? Por que uma mulher que rouba um pote de margarina quando é presa, é julgada e encarcerada em meses, às vezes semanas, e um crime como esse do mensalão vira novela e caso de desesperança?
Roubar manteiga não pode, lesar o patrimônio público também não pode, então por que, para se chegar a essa conclusão de que houve dolo, as provas são analisadas, reanalisadas e analisadas novamente até se chegar a uma conclusão? As provas estão todas lá!
Esse tipo de atitude é que pode pintar a maior instância do Poder Judiciário como relaxada, relapsa e incutir mais ainda aquele sentimento de que roubar dinheiro público é uma boa, pode valer a pena e que a punição para isso – se o crime for descoberto – pode ser protelada por uma vida inteira.
Estou triste, devastado e totalmente desesperançoso. Só de pensar na festa que José Dirceu, José Genoino, João Cunha e outros estão fazendo nesse exato momento, tenho asco da Justiça.
Sabemos que José Dirceu, caso o voto de Celso de Mello fosse outro, iria recorrer à Corte Interamericana de Direitos Humanos, mas e daí? Ele estaria preso, encarcerado e pagando pelo que fez. Acho muito engraçado essas pessoas que cometem crimes clamarem depois pelos direitos humanos. Esses tais direitos humanos deveriam ser aplicados em humanos e não em marginais – falando de modo geral – que fazem atrocidades das mais diversas contra nós.
Agora só nos resta sentar, pegar o telefone e pedir uma pizza para chorar nossas mágoas. E esperar até sair a próxima fornada em 2014!
fonte Opinião e Notícia

