
Decisão de paralisação de 3h foi definida em assembleia do Sindipetro-LP em São Sebastião
Acácio Gomes
Um grupo de trabalhadores da Unidade de Tratamento de Gás Natural (UTGCA) Monteiro Lobato, em Caraguá, cruzou os braços ontem pela manhã para aderir a paralisação nacional promovida pela Federação Nacional dos Petroleiros.
Na região, o movimento foi comandado pelo Sindicato dos Petroleiros do Litoral Paulista (Sindipetro-LP). Funcionários das áreas operacional, administrativa e das terceirizadas da UTGCA paralisaram os serviços por cerca de três horas (das 7h às 10h).
Segundo Eduardo José da Silva, coordenador jurídico do Sindipetro-LP, trata-se de uma mobilização para exigir da Petrobras uma proposta que atenda as demandas dos trabalhadores (acordo coletivo), o cancelamento do leilão do Campo de Libra agendado para dia 21 de outubro e o fim do projeto que prevê a terceirização de serviços.
“A decisão da paralisação foi tomada em assembleia realizada na quinta-feira. Tivemos uma ampla participação dos trabalhadores da UTGCA. O atraso envolveu 100% do turno e 90% do administrativo”, explicou.
Ainda de acordo com a decisão da categoria, não haverá emissão das chamadas permissões de trabalho (PT’s), inclusive nas plataformas de Merluza e Mexilhão.
Os atrasos de 3h seguirão por tempo indeterminado contra o leilão de Libra e por um acordo coletivo de trabalho digno até que a companhia apresente uma nova proposta.
Em São Sebastião, havia a possibilidade de paralisação no Terminal Aquaviário Almirante Barroso (Tebar), mas a ideia foi abortada ainda pela manhã.
Esclarecimentos
Responsável pela administração do Tebar, a Transpetro emitiu nota para informar “que as operações do Terminal Aquaviário Almirante Barroso, em São Sebastião, não foram afetadas”.
Já a Petrobras, que administra a UTGCA, emitiu uma nota de esclarecimento para falar do assunto.
“A Petrobras foi informada de que a greve que se iniciou nessa quinta-feira, tem como principais motivadores o leilão de Libra e o Projeto de Lei 4330, sobre os quais não cabe posicionamento da Petrobras. A companhia tem como prática nesse tipo de mobilização tomar todas as medidas necessárias para garantir suas operações, de modo a não haver qualquer prejuízo às atividades da empresa e ao abastecimento do mercado, sendo mantidas as condições de segurança dos trabalhadores e das instalações da companhia”, explicou.
Sobre as negociações do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2013, a Petrobras informou que realizou uma série de reuniões com as entidades sindicais e apresentou sua proposta ao longo das últimas semanas.
“Além de uma proposta completa para as cláusulas sociais (relacionadas ao plano de saúde, benefícios educacionais, saúde, segurança, condições de trabalho) , a empresa propôs um reajuste de 7,68% e uma gratificação equivalente a uma remuneração, entre outros ganhos econômicos. A Petrobras afirma que está aberta ao processo de negociação com as entidades sindicais sobre o ACT 2013”, finalizou a nota a Petrobras.
A reportagem do Imprensa Livre, a estatal informou que a operação da UTGCA não foi prejudicada.
Dúvidas
Segundo o Sindipetro-LP, um dos itens apresentados pela Petrobras em sua proposta para o ACT 2013/2014 tem gerado algumas dúvidas e bastante discussão entre os trabalhadores: trata-se da oferta de um novo regime de trabalho para trabalhadores de regime administrativo, cuja jornada diária de trabalho seria de 10 horas, com uma escala de trabalho de 4×3.
Dentro deste regime, que inclui os fins de semana (sábados e domingos), trabalhadores que hoje atuam em horário administrativo em algumas atividades muito específicas, mas são convocados sistematicamente pela empresa a trabalhar em fins de semana e feriados, passariam a trabalhar oficialmente em uma jornada de trabalho legitimada pelo Acordo Coletivo de Trabalho.
De acordo com esclarecimentos que a própria empresa vem fazendo, este regime “se aplica a empregados que desempenham atividades administrativas que exigem execução em todos os dias da semana, incluindo sábados e domingos, durante o dia, sem necessidade de confinamento. Trata-se de uma situação muito específica. Não é o caso da maioria dos administrativos que trabalha de segunda a sexta, com horário flexível. O regime se aplica, por exemplo, a alguns profissionais que desempenham determinadas atividades em campos terrestres ou, em outras áreas, algumas atividades de comercialização que não podem parar nos finais de semana”.
Foto: Divulgação
Fonte Imprensa Livre

