
Ontem, sob sol de 31 graus, pessoas com mais de 60 anos tentavam se abrigar e pediam que a direção do ambulatório médico revesse a forma de agendar os retornos
Mara Cirino
Quinta-feira, 24 de outubro, 10h30 (Horário de Verão). O local é o Ambulatório Médico de Especialidades (AME), em Caraguatatuba, que fica no bairro Indaiá na região central. O que se vê é uma fila dando volta no quarteirão, sendo em sua maioria, pessoas com mais de 60 anos que enfrentavam o sol de 31 graus. Elas foram lá para agendar o retorno médico. Algumas retornaram sem conseguir o objetivo porque a cota estabelecida esgotou.
Essa foi a segunda vez em dois dias que o caos se instalou em frente ao AME que abriu três dias para a marcação dos retornos para consultadas previstas para serem realizadas em dezembro e janeiro de 2014.
A aposentada Neuza Bernardes, 62 anos, moradora em São Sebastião, contou que estava há três horas na fila e não entendia porque concentraram todas as marcações nesses dias. “Antes, a gente saia do médico e já marcavam o retorno. Agora é essa confusão”. Moradora em Caraguatatuba, Vania Maria Rocha, 49 anos, aguardava retorno com a reumatologista desde às 8h15 e também estaca inconformada. “Vi gente desmaiar aqui na fila e ainda teve funcionário varrendo a poeira e jogando na gente que estava aqui fora”, lamentou.
“Isso é uma humilhação, tem gente sem comer, está só com bolacha, que chegou mais cedo e não consegue saber se vai conseguir agendar a consulta”, reclamou Maria dos Santos Carvalho, 65 anos, moradora de Ubatuba que estava mais preocupada com aqueles que passavam mal. Também da cidade vizinha e moradora no bairro Taquaral, a aposentada Isabel Aparecida Silva, 69 anos, conta que para chegar com chance de ser atendida, pegou ônibus próximo à sua casa Às 5h50 para conseguir entrar no coletivo que liga Ubatuba à Caraguatatuba às 6h30, primeiro horário. Chegou ao AME às 8h30 para agendar com endocrinologista. Quando aguardava na fila veio a informação, de funcionários do ambulatório, que não havia mais cota para atendimento. Ele passou a orientar os usuários a retornar no final de novembro para que pudessem agendar o retorno para janeiro. “Não é garantia que vão conseguir. Sugiro que cheguem o mais cedo possível porque há uma quantidade certa estipulada pelo médico”, disse o funcionário que não quis se identificar.
Outro servidor explicou que a agenda de marcação de retorno é aberta três vezes por mês, sendo o primeiro dia para exames, o segundo para consulta não cirúrgica e o último para as cirúrgicas. O Imprensa Livre apurou que as dificuldades maiores são para as especialidades de reumatologia e endocrinologia.
Foi porque quis
Ontem, a assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Saúde, responsável pelo AME, confirmou que, segundo a direção da unidade, a demanda para atendimento no dia de ontem foi de pacientes que buscavam o agendamento de consultas de retorno. Destacou, ainda, que a demanda foi espontânea e, de forma nenhuma, os pacientes foram orientados a irem na unidade no mesmo dia realizar o agendamento. Ocorre que a reportagem conversou com vários pacientes e constatou que no papel de pedido de retorno estava a data agendada para o comparecimento na data de ontem
Ainda de acordo com a assessoria do AME, pacientes com consultas ou cirurgias já agendadas para ontem receberam atendimento imediato.
“Vale ressaltar que o Ambulatório já está estudando uma medida para otimizar o agendamento de consultas de retorno na unidade”, destacou a nota que não informou qual o numero de vagas disponibilizada para atender os usuários nas especialidades agendadas.
Ainda conforme o AME, por ser referência no atendimento de diferentes especialidades médicas, que não são oferecidas pelos municípios que compõem a região do Litoral Norte, o AME acaba absorvendo casos de baixa complexidade que deveriam ser acompanhados por unidades básicas de saúde municipais. “É importante deixar claro que o funcionamento da rede básica de saúde é fundamental para a boa resolutividade do SUS (Sistema Único de Saúde)”, finaliza a nota.
Foto: Jorge Mesquita/IL
Fonte Imprensa Livre

