
O universitário Alan Flick diz que não seguem nenhuma superstição. “Mas neste dia presto mais atenção aos possíveis sinais de algo incomum”, assegura. Já a estudante de publicidade Paula Oliveira diz que, embora todas as “recomendações” sejam seguidas à risca às sextas-feiras 13, o pior mesmo são as escadas. Ela diz que sempre que nota a possibilidade de passar embaixo de uma escada costuma dar a volta em vez de andar em linha reta.
“Realmente o que sempre me incomoda é passar po baixo de uma escada. Não é um sentimento definido, mas é algo que, quando acontece, percebo na hora! Eu mesma acho que é besteira, mas não me livro disso!”.
As escadas são a única supertição da aluna de comunicação Thaís Sirqueira. “Não tenho nada contra sexta-feira 13, mas uma coisa é certa: não passo por baixo de escada de jeito nenhum. Não só neste dia, mas em qualquer dia do ano!”.
Já Laise Lopes, de 17 anos, conta que segue duas principais regras: nunca parar no meio da rua ao meio dia de uma sexta-feira (13) e jamais parar nem ao menos perto a um cruzamento quando está próximo a meia-noite desta data. “Dizem que coisas terríveis acontecem, então, aqui em casa todo mundo evita isso por via das dúvidas”, confirma.
Segundo o professor da Faculdade de Antropologia da Universidade Federal do Pará (UFPA), “nós somos seres simbólicos e damos significado ao mundo. Partimos, sempre, de crenças, além de conhecimentos comprovados, para desenvolver nossa capacidade de sobrevivência e adaptação ao resto da natureza”.
O professor explica que toda a estrutura do imaginário social é socialmente construída, mas não cientifica ou institucionalmente. “São as crenças populares que estruturam o imaginário coletivo e social”, diz o antropólogo.
Medo da data tem origem histórica
Ele revela que a origem do temor relacionado ao número 13 quando ele coincide com as sextas-feiras, está ligado as cruzadas religiosas. Foi em um dia 13 de outubro de 1307, uma sexta-feira, que a ordem dos Cavalheiros Templários foi considerada ilegal pelo Papa Clemente V e Felipe IV, então rei da França, mandou perseguir, prender, torturar e queimar integrantes da ordem.
João Simões conta ainda que o medo do número 13 é uma crença tão presente na mente das pessoas que a Psicologia tem nomes de fobias específicas para isso. Quem sofre com triscaidecafobia tem medo maior que o comum do número 13. Já quem só teme a Sexta-Feira 13 tem parascavedecatriafobia.
Apesar de tudo isso, em muitas culturas, o número 13 é considerado um número de sorte. Os hindus normalmente apresentam 13 estátuas de Buda. Os mexicanos primitivos adoravam treze cabras sagradas. Também nos Estados Unidos, o número treze não tem má fama, pois eram 13 Estados que, inicialmente, constituíam o país. Além disso, o lema latino da federação é “E pluribus unum” – De muitos se faz um só –, que tem treze letras.

Para entender melhor a construção da fama, ou maldição, da sexta-feira 13, primeiro é necessário entender alguns significados de cada elemento separadamente. Na história da civilização, o 13 é um número considerado incompleto. São doze os ciclos lunares durante um ano solar, que formam os 12 meses no ano, e a contagem da civilização suméria tinha como base 12 unidades, daí vem a porção padrão conhecida como dúzia.
Outras coincidências religiosas e místicas também estão presentes na composição da ‘carga negativa’ do 13 . Esse era o número de pessoas que estavam presentes a Última Ceia, refeição que Jesus teria feito antes da crucificação. E para quem acredita em outras forças místicas, a décima terceira carta do Tarô é “A Morte”.
Ainda existem duas lendas da mitologia nórdica que reforçaram os mistérios quanto ao número 13 e espalharam a superstição pela Europa. A primeira conta que em uma festa na morada dos deuses, foi dado um banquete para 12 divindades, mas Loki, espírito do mal e da discórdia, que não teria sido convidado, apareceu para criar um desentendimento entre os deuses. Durante uma briga, o deus Balder, favorito entre as divindades, teria morrido. Daí vem a crença de que não se deve convidar 13 pessoas para um jantar ou uma festa.
Outra lenda escandinava diz que Friga, deusa do amor e da beleza, teria se transformado em uma bruxa após a conversão dos nórdicos ao cristianismo. Como vingança, ela passou a se reunir todas as sextas-feiras com outras 11 bruxas e o demônio. Juntos, os 13 ficaram lançando feitiços sobre os novos cristãos do alto de uma montanha.
A sexta-feira também começa a se diferenciar como um dia negativo pela crença religiosa. Segundo a tradição cristã, Jesus foi cruxificado e morto em uma sexta-feira. Além disso, muitos historiadores apontam para o fato de Cristo provavelmente ter morrido na sexta-feira 13, do mês de Nissan, visto pelo calendário hebraico.
“A sexta-feira também ficou conhecida por ser o dia das execuções oficiais. Na Inglaterra era esse o dia em que os prisioneiros eram enforcados”, acrescenta o professor Nathanael.
História
Somados às superstições ainda existem acontecimentos históricos para marcar o dia. O mais importante, e novamente ligado a tradição cristã, envolve a Ordem dos Templários. No dia 13 de outubro de 1307, uma sexta-feira, a Ordem dos Templários, grupo de sacerdotes e cavaleiros que protegiam cristãos em suas peregrinações por mais de dois séculos após a Primeira Cruzada, foi declarada ilegal pelo rei Filipe IV de França que estava profundamente endividado com a Ordem e pressionava o Papa Clemente V a tomar medidas contra eles. Por ordem do rei, nesta sexta-feira 13, os templários da França foram convocados, encarcerados em masmorras e submetidos a torturas para se declararem culpados de heresia.

No Brasil, em uma outra sexta-feira, em 13 de dezembro de 1968, o governo militar decretou o AI-5, que, entre outras medidas, suspendeu direitos e garantias políticas e ampliava dos poderes aos militares durante a Ditadura. Outro fato histórico que ocorreu em um 13 de agosto é o início da construção do Muro de Berlim, em 1961.
Nos Estados Unidos, o número 13 também tem uma força histórica. O país alcançou a independência com suas 13 colônias, que são representadas até hoje pelas 13 listras da bandeira norte-americana. Antes do filme Sexta-feira 13 conquistar as bilheterias de todo o mundo no início dos anos 80 e aumentar o temor mundial pela data, um acidente com a espaçonave Apolo 13, consagrou a superstição.
Dois dias depois do lançamento da missão à Lua, no dia 13 de abril de 1970, a expedição foi abortada e os astronautas trazidos de volta após uma explosão em um dos tanques de oxigênio. Antes disso, muitos já defendiam que o nome da missão deveria ter passado direto do número 12 para o 14.
Principalmente nos Estados Unidos ainda é comum que prédios não tenham o 13º andar. Muitas empresas aéreas também pulam a poltrona 13 em aviões. Nos esportes, a Fórmula 1 é a categoria mais afetada pela superstição: nenhum piloto usa o número 13 no carro há décadas.
Para Nathanael Souza, a fama da data é algo que não se pode explicar só com fatos e nem é possível contê-la. “A superstição está sempre ligada à fé. Ou se acredita ou não. Não adianta querer prová-la ou descaracterizá-las com fatos científicos.”


