Acácio Gomes
Representantes do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários Urbanos, Cargas e Anexos do Litoral Norte (Sttruca) se reuniram ontem, em assembleia com os motoristas da empresa Praiamar Transportes para informar que cobrará explicações e providências da concessionária do transporte coletivo municipal quanto ao suposto desconto em folha de pagamento de funcionários que tiveram os ônibus assaltados na cidade.
De acordo com a categoria, a empresa não cumpriu com o acordo de extinguir os descontos. “Não é justo e nem legal descontar dos servidores o prejuízo que a empresa tem em um assalto. Além disso, queremos segurança aos trabalhadores. Muitos estão com medo de fazer a viagem. Somente no mês de novembro, foram 13 ocorrências, a maioria delas, nas linhas que fazem a região Sul e chegam até a divisa com São Sebastião”, considera o presidente do Sindicato, Francisco Israel. Ele contou que reuniões foram feitas com os trabalhadores dos turnos da manhã e da noite. “No momento, decidimos não deflagrar uma greve, mas se as exigências não forem atendidas, os trabalhadores estão dispostos a paralisar”.
Além da questão do desconto salarial e da segurança, o Sindicato cobra ainda respostas da empresa quanto às condições de trabalho, não pagamento de horas extras, falta de intervalo para refeição e descanso, além de excesso de jornada.
“Todos esses questionamentos já estão no Ministério Público, mas como a empresa acenou que atenderia as reivindicações dos trabalhadores, estamos cobrando”, salientou.
Empresa se diz vítima de ameaças do sindicato
Na tarde de ontem, a empresa Praiamar Transportes emitiu nota de esclarecimento à imprensa esclarecendo que “desde que mudou seu comportamento diante de inaceitáveis práticas do SCLN-SP, na pessoa do seu Presidente, a empresa tem sido constantemente agredida, quer mediante declarações públicas injuriosas, quer por meio de ameaças à integridade física de seus dirigentes e funcionários, fatos estes já registrados e a serem registrados em boletins de ocorrência na esfera policial”.
No comunicado consta ainda que “as constantes investidas contra a Praiamar não têm sistematicamente contado com o apoio e adesão dos motoristas funcionários da empresa que, ao serem contratados, conheceram bem e assinaram cláusulas constantes de seus contratos que invalidam plenamente as alegações usadas pelo SCLN-SP para perturbar a ordem e tentar interromper as operações dos ônibus em detrimento do transporte público de Caraguatatuba”.
Sobre a questão das ocorrências em ônibus, a empresa afirmou que todos os seus ônibus têm câmeras de segurança para inibir a ação de assaltantes. “A empresa inclusive tem Normas de Procedimento para o Cargo de Motorista/ Cobrador que literalmente diz que é obrigatório que se façam os depósitos por viagem. Este é um procedimento adotado para garantir maior segurança (conforme cláusula 15F). Para garantir maior segurança, os motoristas deverão depositar toda quantia e dinheiro, salvo dinheiro para troco que é R$ 30, sendo o motorista responsável pela quantia apropriada além do permitido. A eventual desobediência a estas Normas pode aumentar a atração a meliantes”, ressalta em nota.
Campanha
Ainda de acordo com a nota de esclarecimento, a empresa concessionária cita que “cansada de ser apontada como única responsável por eventuais e naturais contratempos ocorridos em sua prestação de serviços à população de Caraguá, optou por realizar uma campanha de comunicação pública considerando que o cidadão de Caraguatatuba, através dos meios de comunicação, merece saber a verdade sobre os fatos que ocorrem na empresa e no transporte público da cidade”.
Mais, “a Praiamar afirma com toda clareza, que os fatos constantes dos anúncios que tem feito publicar são absolutamente verdadeiros, inclusive no que diz respeito à remuneração de seus motoristas ser a mais alta da nossa região.
Finalmente, a Praiamar repudia as atitudes do presidente do SCLN-SP, ao procurar tumultuar a rotina de trabalho de nossos funcionários em prejuízo dos serviços prestados pela Praiamar e em detrimento da imagem pública da Empresa”, finaliza a nota.


