
Cristiane Lopes
No início de novembro, a presidente Dilma Roussef assinou o decreto que permite a migração das rádios AM para a faixa FM, com a justificativa de proporcionar maior qualidade de transmissão, com menos ruídos e interferências, e também mais competitividade e facilidade de acesso à programação por meio de celulares e tablets, atingindo também outras gerações.
Um levantamento feito pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) estima que 90% das 1.784 emissoras AM passem a operar na faixa FM. No Litoral Norte, duas emissoras de rádio encontram-se nessa situação, a Rádio Oceânica Jovem Pan, de Caraguatatuba, e a Costa Azul, de Ubatuba.
Para o diretor de programação da Costa Azul, Henrique de Souza César, o período é de “preparar o terreno”. “Há uma série de critérios técnicos e etapas que as rádios AM têm que cumprir. O principal entrave é o aporte financeiro, mas o governo também tem facilitado neste sentido. Nosso objetivo é promover as mudanças necessárias com o menor custo possível”, comenta César.
A estimativa é que a rádio ubatubense, fundada há 32 anos, esteja preparada para a transmissão em FM, em cerca de um ano. “Nossa principal mudança será justamente no modo de transmissão; ganharemos qualidade de som”, acredita. Para César, a mudança trará novas oportunidades de negócios, mas não provocará mudanças na programação da rádio. “Temos um público cativo, mais maduro e exigente e queremos manter isso”, completa.
O gerente-geral da rádio Oceânica/ Jovem Pan, fundada em 1957 e filiada à rede Jovem Pan desde 2008, Marcelo Bacellar aguarda a Anatel emitir a portaria que regulamentará o processo de adaptação. “Assim, a emissora entrará com a documentação necessária para a migração”, informa Bacellar.
Ele participou de um congresso promovido pela Associação das Emissoras de Rádio e TV do Estado de São Paulo, na última semana, que reuniu profissionais, empresários e dirigentes públicos do setor. “A expectativa é que ela [portaria] seja apresentada até meados de junho do ano que vem. Enquanto isso não ocorre é difícil precisar quando a Oceânica passará a ser transmitida por FM. Mas temos total interesse nisso”, diz.
Ele estima que o custo das mudanças exigidas para a operação, incluindo uma nova outorga, deverá variar de R$ 450 mil a R$ 500 mil. No entanto, as expectativas são as melhores possíveis. “Sem dúvida o principal ganho será em termos de qualidade de transmissão e som e a gama maior de plataformas. Além disso, ganharemos em competitividade e no retorno comercial”, projeta. Sobre a programação, Bacellar deve fazer alguns ajustes, mas o foco no público adulto e atenção ao conteúdo jornalístico continuarão predominantes na emissora.
Foto: Jorge Mesquita/ IL

