O Programa Praia Acessível de Caraguatatuba terá um reforço de novos equipamentos para o esporte, lazer e recreação de pessoas com deficiência nesta alta temporada que se aproxima. Trata-se de duas pranchas adaptadas para atender pessoas cegas, com paralisia cerebral, tetraplegia, entre outras deficiências.
Os acessórios foram doados pelo projeto “Sonhando Sobre as Ondas”, criado por Francisco Araña, o Cisco, e Sérgio Novaes em Santos, junto a empresas e apoiadores.
As pranchas de surf têm sinalizadores e marcadores, e uma parte côncava com relevos para os usuários com deficiência visual perceberem, sensorialmente, a posição na prancha. Conta ainda com marcadores sonoros, adaptações para pessoas com deficiência física para melhor ajuste corporal na prancha.
O recebimento dessa doação teve início quando o ex-presidente da Associação de Surf de Caraguatatuba, Luciano Santana, foi exibir o documentário chamado “Caraguá! Essa cidade também é surf”, que destaca a história do esporte na região, para os frequentadores do Ciapi – Centro Integrado de Atenção à Pessoa com Deficiência e ao Idoso, equipamento da Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência e do Idoso (Sepedi), no bairro Jardim Jaqueira.
O surfista contou para a secretária Ivy Malerba sobre o “Sonhando Sobre as Ondas”, e sugeriu que fosse enviado um projeto aos responsáveis para que o município fosse contemplado com as pranchas inclusivas e multifuncionais.
A Sepedi acolheu prontamente a sugestão e Caraguatatuba foi agraciada. A equipe da secretaria, formada pela secretária Ivy Malerba, a secretária adjunta, Fernanda Ramiro, profissionais da equipe técnica dos programas Praia Acessível e Inclusão em Movimento – Felipe Leite, Thiago Intrieri, Lucas Santos e Luiz Eduardo Bueno, foram até Santos receber as pranchas, na terça-feira (11). O surfista Luciano Santana também acompanhou a comitiva.
“Fomos recebidos e muito acolhidos pelo idealizador do projeto “Sonhando Sobre as Ondas”, o Cisco, e o parceiro Cesar Augusto Andrade, da Blue Med, empresa parceira privada junto a Prefeitura de Santos, para o desenvolvimento das Escolas Municipais de Surf Radical e Adaptada. Tivemos a oportunidade de ir para o mar para experienciar a prática, como também fizemos o workshop técnico. Vimos como as pranchas funcionam e trocamos experiências ”, contou Malerba.
Na oportunidade, a secretária agradeceu o gesto solidário e ressaltou o respeito e gratidão, ao trabalho visionário e sensível dos idealizadores do “Sonhando Sobre as Ondas”, que inspira e transforma vidas por meio do esporte.
“Tanto vocês como nós, buscamos ampliar o acesso ao esporte, ao lazer e à recreação de forma inclusiva e acessível. Essa doação fortalece as ações da Sepedi no fomento ao esporte adaptado e na promoção da qualidade de vida das pessoas com deficiência de nossa cidade e região. As pranchas doadas, assim como a transmissão dos saberes para o uso das mesmas, integrarão e fortalecerão o nosso Programa Praia Acessível, e possibilitará ampliar e experenciar novas possibilidades de contato com o mar, de superação e de pertencimento, e reafirma o compromisso de Caraguatatuba na contínua construção de uma sociedade verdadeiramente inclusiva”, declarou Ivy Malerba.
De acordo com a secretária, a vivência será repassada a outros profissionais do Programa Praia Acessível e da rede de Caraguatatuba e a primeira utilização dos novos equipamentos deve ocorrer durante a Semana de Valorização à Pessoa com Deficiência – Fórum Inclusivo, que será realizado entre os dias 1º e 6 de dezembro, com diversas atividades, entre elas, na Praia Acessível, Centro.
“Sonhando sobre as Ondas”
O projeto “Sonhando Sobre as Ondas” é um projeto de inclusão social criado pelo surfista Cisco Araña, que utiliza o surf como ferramenta de inclusão social e terapia para pessoas com deficiência, fornecendo pranchas adaptadas e capacitando instrutores.
Lançado em 2009, o projeto teve sua origem em Santos (SP) e se expandiu para diversas cidades brasileiras e outros países. Seu objetivo é promover o bem-estar, a autoestima e o desenvolvimento pessoal por meio da prática do surf adaptado.
O projeto busca integrar pessoas com diferentes deficiências (como paralisia cerebral, autismo, Down e tetraplegia) ao esporte.


