
Kevin Drew participa de oficinas organizadas pelo projeto Litoral Sustentável; próximo encontro acontece em São Paulo, nesta segunda-feira
Representantes de cidades da Baixada Santista e sociedade civil tiveram a oportunidade de conhecer as propostas e metas do Programa Resíduo Zero, da Prefeitura de São Francisco, Califórnia, durante a oficina ministrada por seu coordenador, Kevin Drew, em Itanhaém. O Resíduo Zero, que tem como meta até 2020 zerar os resíduos que são encaminhados aos aterros sanitários, vem conseguindo bons resultados e atualmente já diminuiu 80% dos resíduos na cidade.
O evento, organizado pelo projeto Litoral Sustentável – Desenvolvimento com Inclusão Social, iniciativa do Instituto Pólis com apoio da Petrobras, aconteceu na tarde da última quarta-feira, na Câmara Municipal de Itanhaém e contou com cerca de 50 participantes.
De acordo com o coordenador Kevin Drew, um dos principais objetivos do programa é amenizar as mudanças climáticas, proteger os ecossistemas, conservar recursos naturais e energia, além de reduzir a poluição. Para isso São Francisco criou políticas que reduzem o desperdício, aumentando o acesso à reciclagem e compostagem.
“Quando iniciamos o sistema, que é obrigatório na cidade desde 2009, nos questionaram como íamos conseguir alcançar a meta de zerar os resíduos? Confesso que não sabíamos exatamente, porém, tínhamos a certeza de que seria possível e continuamos trabalhando para cumprir”, explica.
Para Kevin, incentivar a população e conscientizá-la da necessidade de separar o lixo úmido do seco já é uma forma de dar o pontapé inicial para essa questão que é primordial para o desenvolvimento sustentável. “Outro caminho é estimular a participação de voluntários e realizar coletas nos grandes centros. Porém, sabemos que é um desafio para qualquer cidade que queira iniciar um trabalho como este”.
Segundo ele, em São Francisco, o sistema custa US$ 220 milhões. De cada residência é cobrada uma taxa de US$ 25 mensais. Sendo que as empresas pagam 70% a mais que do valor cobrado por residência. Em São Francisco são produzidos mais de 2 milhões de toneladas de resíduos por ano. Sendo que 1,6 milhão são destinados para a reciclagem e compostagem de resíduos alimentares.
Kevin explicou também que o sistema utiliza os orgânicos para produzir diesel. “Já recuperamos um milhão de galões de gordura”, conta, “o equivalente a 3,78 milhões de litros, que são utilizados para o transporte rodoviário da cidade”.
O projeto também alavancou os chamados empregos verdes, oportunidade que surgiu depois da implementação do programa. “Nossa política fez alavancar as oportunidades de emprego na região. Além de conquistar o apoio da comunidade local, que contribui com a reciclagem de resíduos. Cada comunidade cuida do seu espaço”, explica.
Para Drew, os resultados atingidos até o momento foram frutos de trabalho árduo. “Conforme vamos avançando, descobrimos também quais são as barreiras que precisamos quebrar para alcançar a meta em 2020”.
Quem também participou do debate foi o especialista em gestão ambiental Dan Moche Schneider, que enfatizou a importância de se começar a pensar na questão dos resíduos sólidos. “Acredito que a postura deve ser essa que a prefeitura da Califórnia adotou que, mesmo sem saber como chegaria ao objetivo final, iniciou o processo acreditando que seria possível. Isso é fundamental. Claro que existe a dificuldade dos gestores e da população em relação à questão dos resíduos, mas iniciar e reciclar são um bom começo”.
As oficinas têm como proposta dar oportunidade a gestores públicos e à sociedade civil de aprofundarem seus conhecimentos sobre rotas tecnológicas de tratamento de resíduos sólidos domiciliares, especialmente o sistema de biodigestão, de forma a contribuir para que os municípios avancem rumo à gestão sustentável de resíduos sólidos urbanos. Para quem quiser participar, a entrada é franca e as inscrições podem ser feitas no endereço: litoralsustentavel.org.br/eventos/oficina-residuos-solidos-urbanos-sao-paulo
Sobre o projeto
O objetivo do Projeto Litoral Sustentável – Desenvolvimento com Inclusão Social é construir com o poder público e as comunidades locais Agendas Municipais e Regional de Desenvolvimento Sustentável para os municípios do Litoral Norte (Ubatuba, Caraguatatuba, São Sebastião e Ilhabela) e da Baixada Santista (Bertioga, Guarujá, Santos, São Vicente, Cubatão, Praia Grande, Mongaguá, Itanhaém e Peruíbe).
Em 2011 e 2012, o Diagnóstico Urbano Socioambiental Participativo, realizado por técnicos do projeto nos 13 municípios das duas regiões, mapeou a economia, fragilidades e potencialidades, o processo de ocupação do território e suas contradições – habitação, acesso à infraestrutura urbana, condições de mobilidade local e regional, questões relativas às unidades de conservação, as possiblidades de crescimento e adensamento urbano e a legislação sobre gestão e ordenamento do território.
Os estudos estão disponíveis em www.litoralsustentavel.org.br ou diretamente em http://litoralsustentavel.org.br/diagnostico/diagnosticos-urbanos-socioambientais/.
Para conhecer mais sobre o projeto, assista ao vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=Wv4WY35OwMM
Mais informações: Érika Freire: (13) 9730 -7898 erika@caisdasletras.com.br
Foto: Divulgação

